FALTA…

Quem é tentante vai entender bem.
Temos o mundo ao nosso redor, pessoas e mais pessoas com as quais conversamos pessoalmente, pelo telefone, email, mensagens, mas falta…
Temos uma companhia, um cônjuge, alguém que deseja tanto quanto a gente, que está do nosso lado, em alguns casos um pouco descrente, em outros casos muito presente, mas falta…
Podemos ter uma família apoiadora, que entende nosso sofrimento, torce, ora, apoia, alivia nossa dor, mas falta…
Amigos tentam nos animar, nos tirar do fundo do poço onde nos escondemos, trazem palavras de conforto, mas falta…
Algumas vezes estamos sozinhas, sem companhia, sem apoio, sem conforto, mas com a falta…
Nos olhamos no espelho, passamos a mão na barriga, imagimamos tantas coisas, choramos, rimos, nos animamos, nos desesperamos, mantemos a fé, mas falta…
E essa falta é tanta que nem percebemos ou nos incomodamos quando algo maravilhoso acontece… pelo contrário, sentimos mais falta…
É um vazio lá dentro, um vácuo que preenche a nossa alma, uma vontade de gritar por socorro 24 horas por dia…
O tempo passa e a falta permanece, forte, destruidora, avassaladora…
Mas a falta é tanta que nos fortalece… queremos tanto que lutamos com todas as nossas forças.
E quando a falta perde a batalha, nos inundamos de presença… queremos estar presentes o tempo todo!
Estamos presentes quando dorme, quando acorda, quando chora, quando sorri, quando fala, quando anda…
E aí, é a gente que quando sai de perto, faz falta…417-falta

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VOCÊS NÃO QUEREM TER FILHOS?

Quando um casal ouve esta pergunta, pode responder “Sim, queremos, estamos providenciando” ou “Não, ainda é muito cedo” e até mesmo “Não, optamos por não ter filhos”. Mas quando esta pergunta é para um casal que sofre de infertilidade, a resposta é muito difícil…
Primeiro, porque podem não querer que os outros saibam o que estão passando. Segundo, porque se responderem que sim, a pressão aumenta. E enfim, se responderem que não, estarão mentindo. Vivemos isso e passamos por muitas situações difíceis. Como nos casamos depois dos trinta anos, já ouvimos a pergunta no dia do casamento… claro que naquele momento não imaginávamos o que aconteceria e facilmente respondíamos que sim, só iríamos esperar um pouco e curtir a vida a dois para depois encher a casa de filhos!
411_teraofilhosApós 2 anos de casados, começamos a nos preparar para os filhos. Parei de tomar anticoncepcional, fizemos uma pequena reforma no apartamento e aguardamos o acontecimento. Após 6 meses de tentativas e eu com 34 anos, minha médica pediu alguns exames e tudo parecia normal. Quando completamos 1 ano ela não quis arriscar mais e pediu que procurássemos um especialista.
Claro que acreitamos que rapidamente tudo se resolveria… após a segunda FIV com resultado negativo, entendemos que não era tão simples. Como decidimos não contar a ninguém, cada encontro com família e amigos ficava constrangedor: “E aí, vocês não querem ter filhos?” Um olhava para o outro e discretamente dizíamos que estávamos tentando…
Após mais FIVs negativas decidimos contar sobre nossa infertilidade. Pra gente foi muito difícil pois aumentou a pressão e passamos a conviver com a especulação, palpites, conselhos e comentários, que muito mais nos incomodavam e entristeciam do que nos davam esperanças. Nos afastamos e vivemos nossa dor calados, nos apoiamos um no outro e combinamos que perguntas sobre filhos seriam ignoradas e respondida com um simples “Quando acontecer, acontecerá”.
Na maioria das vezes as pessoas não têm noção do que estamos passando e de forma alguma querem nos ferir, mas pela nossa situação de fragilidade acabamos sendo bombardiados e nos sentindo inúteis diante da situação. Eu mesma sempre tive o impulso de perguntar sobre filhos.
Quando estiver muito incomodada com as perguntas reflita e decida entre o casal a melhor resposta. Para alguns vocês podem simplesmente dizer que estão tentando, para outros serem um pouco mais específicos e contar seu problema e para quem tiver mais intimidade, explicar seus sentimentos de dor e tristeza.
Só quem já viveu o que vivemos compreende a intensidade deste sofrimento, mas sempre há alguém com quem podemos nos abrir e ajudar a aliviar este sentimento.