SERÁ QUE DEU CERTO?

Quando um casal está em tratamento de fertilidade, não há momento mais tenso do que o período entre a transferência dos embriões e o exame de gravidez. São somente 12 dias, mas parece uma eternidade e ainda temos que esperar pelo resultado que pode demorar até 48 horas…
Nós mulheres recebemos uma carga imensa de hormônios que são responsáveis pela produção de folículos e geração de uma maior quantidade de óvulos. Assim que eles são puncionados, ou seja, são retirados dos nossos ovários para que haja a fertilização in vitro com os espermatozóides, recebemos novos hormônios que atuarão no preparo do útero. Após 3 ou 5 dias os embriões de qualidade são escolhidos para a transferência e mais medicamentos são adicionados para auxiliar nosso organismo a entender o processo gestacional e aceitar estes “corpos estranhos” de forma natural.
A progesterona é a principal causadora dos sintomas de gravidez que passamos a sentir, afinal ela é responsável por formar o endométrio e manter a placenta no início da gestação. É comum sentirmos cansaço, sono, fome, náuseas, inchaço e dor nos seios, dores de cabeça e enjôo. Mas infelizmente, estes sintomas típicos de gravidez, nem sempre são certeza de um resultado positivo. Eu fiz 10 fertilizações in vitro e posso garantir que o que sentimos neste período é um sofrimento imenso!
Lembro que nas primeiras tentativas o médico pedia repouso e eu nem me mexia… achava que se fizesse algum movimento brusco ia perder os embriões… depois fui entendendo que na verdade o primeiro dia deve ser de total repouso, nos demais só temos que evitar esforço físico e desgaste emocional, mas dá pra levar o cotidiano numa boa. Difícil eram os sintomas… aquele enjôo pela manhã, náusea ao andar de carro, cada curva parecia que minha cabeça ia explodir. Os seios inchados e doloridos e um sono absurdo o dia todo. Passei por isso em todas as FIVs, depois da quarta, já acostumada, nem me empolgava mais, queria mesmo era fazer o exame de sangue e saber o resultado.422-seraquedeucerto
E o dia do exame… nossa, que adrenalina!! Eu tive a sorte de ser apresentada pelo médico a um laboratório pequeno do lado da clínica que mandava o resultado no mesmo dia. Ia bem cedo colher sangue e depois do almoço não me aguentava… entrava no site do laboratório a cada 5 minutos, mesmo sabendo que normalmente o resultado saía umas 15h. Foram 6 negativos seguidos.
Na sétima FIV eu estava no meio de uma reunião quando meu celular começou a vibrar… eu não podia atender, estava apresentando um projeto! O bichinho alí na cadeira trepidando e eu vendo o nome do médico na telinha. De repente o nome mudou para o do meu marido e eu não me aguentei, pedi licença e fui atender… era o tão esperado positivo, mas a alegria durou somente mais 3 semanas. Tive um aborto natural. Tentamos mais uma vez e outro negativo. Trocamos de médico.
Na nova clínica após a transferência dos embriões, além dos hormônios artificiais eu comecei a tomar injeções de anticoagulante, que adicionavam mais um sintoma, inchaço na barriga e uns carocinhos roxinhos que só desapareceram depois que pegamos prática na aplicação das injeções. Nas duas vezes, que felizmente foram um sucesso e hoje tenho meus 4 filhos, os mesmos enjôos, náuseas, cansaço e sono de sempre, só que desta vez o exame foi em outro laboratório e precisei esperar o resultado 2 dias depois, e pior… véspera de Natal, nas duas vezesl!!
Não é fácil quando se deseja muito alguma coisa lutar com a nossa ansiedade… estar “tecnicamente grávida” é um período horrível!! A gente quer acreditar que deu certo e ao mesmo tempo sabe que pode não ter dado… pra mim sempre foi a fase mais difícil dos tratamentos. Dá vontade de comprar uns 10 kits de farmácia e fazer exame de gravidez todas as manhãs. Queremos começar o enxoval e fazemos planos. Passamos a mão na barriga lisa e conversamos com aqueles embriõezinhos pedindo que eles se desenvolvam. Tiramos aquele tubinho de sangue mandando todas as vibrações mais positivas que podemos imaginar. Pensamos 24 horas por 12 dias: será que deu certo??!!

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QUANDO PROCURAR UM OTORRINO?

Quem nos acompanha sabe que recentemente a Anna passou por uma cirurgia de remoção de adenoides e amídalas. A médica que cuidou dela, Dra. Renata Lopes Mori, nos fala um pouco mais sobre seu trabalho e os problemas principais que ocorrem com crianças e que necessitam da intervenção deste profissional.

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“O otorrinolaringologista é um médico especializado em tratar das doenças do nariz, ouvido e garganta, tanto de crianças quanto de adultos. O sistema imune das crianças está em constante processo de amadurecimento, então é muito comum elas apresentarem infecções de vias respiratórias, otites, sinusites, amigdalites e laringites. Normalmente a pior fase é quando elas começam a frequentar a escolinha.
*Adenoide e Amidala*
A adenoide, carne esponjosa que fica no fundo do nariz, e as amígdalas, que ficam no fundo da garganta, também podem causar problemas. Elas são um tecido de defesa que ajudam o organismo a ativar o sistema imune, mas algumas vezes podem ser responsáveis pela colonização de bactérias predispondo quadros de sinusites, otites e amigdalites de repetição.
Além disso, a adenoide e as amígdalas podem ficar com seu tamanho aumentado, hipertrofia de adenoamigdala, obstruindo a via área e fazendo com que a criança respire pela boca, ronque e prejudique o sono, podendo até acumular catarro no ouvido e ter perda auditiva.
São sinais de alerta:
– Respirar com a boca aberta
– Roncar a noite
– Déficit no crescimento
– Catarro no nariz ou nariz escorrendo o tempo todo
– Dedo no ouvido constantemente
– Televisão sempre alta
– Atraso de linguagem
– Desempenho escolar ruim
– Cansaço constante, irritabilidade
– Infecções de repetição
A cirurgia para remoção da adenoide (Adenoidectomia) e das amígdalas (Amigdalectomia) é necessária quando o tratamento clínico para as infecções de repetição não está tendo sucesso. Nesses casos a cirurgia é muito mais eficiente e menos custosa do que tratamentos prolongados para amigdalites, otites e sinusite. Além disso, mesmo que a criança não apresente infecções, a respiração bucal e o ronco levam a alterações do sono e a alterações do crescimento facial: face alongada, palato ogival (céu da boca alto), fica com os dentes projetados para a frente (dentuço) e com lábio superior encurtado, tendo hipotonia da musculatura orofacial.
Criança que não respira e não dorme bem, também não se desenvolve bem, tanto na parte física como na parte cognitiva. É primordial para a saúde e desenvolvimento ter um sono restaurador.
*Otite*
Otite é uma infeção do ouvido médio. O ouvido médio é um pequeno espaço cheio de ar atrás do tímpano. As infecções de ouvido costumam ser dolorosas devido à inflamação e acúmulo de secreção no ouvido médio. Os principais cuidados para evitar otites nas crianças são:
– Evitar ambientes com fumaça de cigarro
– Evitar contato com outras pessoas doentes
– Aleitamento materno
– Não dar mamadeira com a criança deitada
– Tratar rinites e obstruções nasais
– Vacinações contra vírus e bactérias que causam infecções respiratórias
*Rinite*
A rinite é uma inflamação da mucosa nasal que provoca sintomas como: espirros, prurido (coceira constante), secreção nasal, congestão e obstrução. Os principais cuidados para evitar a rinite são:
– Retire tudo o que pode acumular poeira em sua casa.
– Se possível diminua o número de tapetes, carpetes, cortinas, livros antigos, pois acumulam ácaros e poeira.
– Utilize tapetes finos e cortinas leves que possam ser lavadas.
– Prefira pisos frios e lisos pois são mais fáceis de limpar.
– Passe sempre um pano úmido sobre os móveis e o chão, se possível, diariamente.
– Permita boa ventilação e entrada de luz e sol em sua casa.
– Dê preferência a colchão com capa protetora, assim como o travesseiro.
– Use edredons, desde que não sejam de penas, ao invés de cobertores de lã e, se possível, lave-os com regularidade.
– Lave roupas de cama semanalmente, se possível com água quente.
– Mantenha a limpeza do ar condicionado em dia
– Fique longe de cigarros.
– Evite contato com substâncias que tenham cheiro forte (tintas, querosene, etc). Incensos e produtos para odorização de ambientes devem ser evitados.
– Evite contato com as substâncias que fazem mal para você.
Para quem tem animais de estimação, o cuidado é maior pois podem causar alergia através da saliva, urina ou caspa dos pelos. Se possuir algum animal de estimação, dê banhos frequentemente (uma vez a cada 7-10 dias) e escove os pelos fora de casa. Mantenha-os longe de camas e travesseiros se você for alérgico.”
Dra. Renata Lopes Mori
Tel: (11)3885-4524 / (11)2359-0492
Rua Manoel da Nóbrega, 1.190 – Ibirapuera – São Paulo/SP

O SEGUNDO FILHO

Claro que no meu caso meu segundo filho veio triplicado, mas a experiência é a mesma…
PhotoGrid_1519595920229Quando temos um segundo filho, não podemos dizer que é mais fácil ou mais difícil, mas podemos afirmar que tudo “flui” melhor, a começar pela gestação! Com nossa experiência anterior, já estamos emocionalmente mais preparadas para os altos e baixos da gravidez, aqueles dias em que estamos super animadas e com pique pra fazer muitas coisas e aqueles dias em que tudo que queremos é a nossa cama!
Conseguimos administrar melhor a compra do enxoval, optamos por um chá de bebê mais light e pedimos fraldas, sim, fraldas são o melhor presente! Ao saber o sexo do bebê, se for igual ao primeiro, está ótimo pois serão companheiros e se você guardou roupinhas vai economizar. Se for o oposto, será maravilhoso explorar um mundo novo e fazer compras!
Já sabemos que uma série de itens são superfulos e investimos em tudo que é mais prático e que realmente será necessário. Nos cuidamos melhor pois já conhecemos as sensações e o efeito sanfona, além disso, temos outra pessoinha pra cuidar e não podemos simplesmente nos afundar em desejos de comer um pote de brigadeiro com pipoca!!
O parto e o pós parto também não são mais bichos de sete cabeças… o puerpério não assusta tanto. Ficar menstruada mais de um mês e usar calçolas e cintas já não nos deixam tão irritadas. A amamentação se rolar de primeira ótimo, se não rolar a gente tem mais paciência. Mamadeira não é mais um ser aterrorizador, ela é parceira!
Mas e o primeiro filho? Rola o ciúmes, sempre!! Se não começa na gestação, se desenvolve com o nascimento do segundo ou quando ele começa a fazer gracinhas lá pelos 3 meses e o primeiro percebe no seu olhar de encantamento que o mundo dele foi invadido por um ser abominável que sequestrou a mamãe! Rola amor e carinho também… beijinhos, afagos, abraços e fotos.
Ahhh, as fotos. Com o primeiro são milhares, com o segundo são dezenas! Primeiro porque com dois filhos você tem menos tempo pra se dedicar exclusivamente a clicar qualquer movimento muscular do seu filho, segundo, porque já vai saber o que realmente vale a pena ser registrado pra depois não ter que viver o dilema de excluir fotos do celular lotado!
Já sabe mais ou menos quando vem o primeiro sorriso, o primeiro gugu-dada, o primeiro dentinho, os primeiros passos, o primeiro tombo! Já é expert em fazer um “up” em toda decoração e modificar a disposição da mobília pra ter mais espaço para duas criaturas exploradoras e altamente bagunceiras! Já não se incomoda tanto com o vômito manchando o sofá, com o suco que caiu no tapete, aliás, ele logo é trocado por um lindíssimo, feito do mais puro e colorido EVA. Suas roupas gorfadas já fazem parte do visual e seus cabelos se ajeitam perfeitamente em rabos de cavalo ou piranhas ornamentais!
Agora, quer saber o que realmente é mágico no segundo filho? O amor!! Você é incapaz de acreditar como seu coração pode amar igual, sem diferença, sem preferência. Com o tempo sua personalidade pode combinar mais com a de um filho ou do outro, mas o amor é dividido milimetricamente da mesma forma!
Momentos passam a ser coletivos. Não existe mais “olha como ele está dançando”. Passamos a curtir o “olha eles de mãos dadas, olha como brincam de pega-pega, olha como gostam de dormir juntos”… Ter um segundo filho às vezes é acidente, pode ser escolha ou poder vir multiplicado como foi o meu caso, mas com certeza, é uma delícia!!!!

FALTA…

Quem é tentante vai entender bem.
Temos o mundo ao nosso redor, pessoas e mais pessoas com as quais conversamos pessoalmente, pelo telefone, email, mensagens, mas falta…
Temos uma companhia, um cônjuge, alguém que deseja tanto quanto a gente, que está do nosso lado, em alguns casos um pouco descrente, em outros casos muito presente, mas falta…
Podemos ter uma família apoiadora, que entende nosso sofrimento, torce, ora, apoia, alivia nossa dor, mas falta…
Amigos tentam nos animar, nos tirar do fundo do poço onde nos escondemos, trazem palavras de conforto, mas falta…
Algumas vezes estamos sozinhas, sem companhia, sem apoio, sem conforto, mas com a falta…
Nos olhamos no espelho, passamos a mão na barriga, imagimamos tantas coisas, choramos, rimos, nos animamos, nos desesperamos, mantemos a fé, mas falta…
E essa falta é tanta que nem percebemos ou nos incomodamos quando algo maravilhoso acontece… pelo contrário, sentimos mais falta…
É um vazio lá dentro, um vácuo que preenche a nossa alma, uma vontade de gritar por socorro 24 horas por dia…
O tempo passa e a falta permanece, forte, destruidora, avassaladora…
Mas a falta é tanta que nos fortalece… queremos tanto que lutamos com todas as nossas forças.
E quando a falta perde a batalha, nos inundamos de presença… queremos estar presentes o tempo todo!
Estamos presentes quando dorme, quando acorda, quando chora, quando sorri, quando fala, quando anda…
E aí, é a gente que quando sai de perto, faz falta…417-falta

JÁ VAI NASCER? COMO ASSIM??!!

Quando ficamos grávidas nos preparamos para várias etapas da gestação e lemos muito a respeito. Primeiro vem o resultado positivo, seja pelo exame de farmácia ou por um beta-hcg em laboratório. Depois vem o primeiro ultrassom e aquele frenético “tu tu tu tu” que nos enche de emoção e lágrimas. Passamos então a ter consciência de estar gerando uma vida e cuidamos mais da alimentação, da saúde, reduzimos nosso ritmo, passamos a pensar em coisas que nunca foram importantes.
Chega a hora de montar o enxoval, o quartinho, descobrir se é menino ou menina, fazer chá de revelação, chá de fraldas, chá de bebê. O barrigão vai aparecendo, as roupas ficando justas, sentimos aquela borboletinha no ventre e depois aqueles chutes e cambalhotas! Aprendemos e passamos a explicar a tabela “mês x semana de gravidez”, escolhemos o nome e de repente um susto… seu bebê vai nascer antes do tempo!!
É o tipo de notícia que pega qualquer mamãe desprevenida e que gela a alma. Internação às pressas, parto de emergência, sem malinha, sem roupinha, sem camisolinha, sem nada pronto! De repente você está no centro cirúrgico, cheia de fios te monitorando, vê uma correria de gente, às vezes é parto normal, mas na grande maioria é uma cesárea… e você planejou tanto fazer aquelas aulas, visitar maternidade, preparar a malinha do bebê… um choro rompe a sala.
Muito, mas muito rapidamente te trazem aquela criatura minúscula, ainda avermelhada, enrolada num lençol que te olha com aquele jeitinho de “o que eu tô fazendo aqui?” Pela primeira vez você se sente totalmente entregue ao amor que nasce nesse momento e tudo que você pede é que seu bebê esteja com saúde.
Levam ele embora… você fica na sala para o restante do procedimento. Uma pediatra vem te dizer como está o bebê: “Mãe, ele vai para a UTI Neo para ser avaliado e tomaremos todas as providências para que fique muito bem para que logo possa vê-lo. Parabéns!!” Como, o quê, cadê meu filho, como ele está?? Você vai para a sala de recuperação mas só consegue pensar no bebê. Sobe para o quarto e tem um bercinho vazio… Ainda tonta pelos medicamentos e sem poder fazer muita coisa, só te resta esperar. Se teve parto normal e tudo correu bem, logo está de pé. Se foi cesárea, nem sempre é tão simples, afinal é uma cirurgia, tem os pontos, o efeito da anestesia e acaba sendo uma recuperação mais demorada.
Ok, mas e meu bebê? As enfermeiras vem trazendo notícias, mas a que você quer é “podemos descer para vê-lo”. Para quem nunca entrou em uma UTI Neo, a primeira imagem é aterrorizante. Um corredor cheio de salas, enfermeiros, técnicos, fisoterapeutas, fonoaudiólogos e médicos entrando e saindo o tempo todo. Dentro das salas, várias incubadoras e muitos, muitos equipamentos piscando, apitando, tubos, fios, pedestais… a higiene é rigorosa e temos cabelos presos, mãos lavadas, álcool gel e, algumas vezes, aventais e luvas… Uma enfermeira nos direciona até nosso bebê e é nesse momento que nosso mundo desaba.
Ver aquele ser tão pequeno dentro daquela caixinha, com fios presos nas mãos e nos pés, alguns com tubos de oxigênio, outros com acessos nas veias para medicamentos, sem dizer nos casos mais graves, faz com que nosso coração se acelere e se desespere. A medida que a enfermeira vai passando o estado do bebê, vamos acordando daquela inércia e prestando atenção a cada palavra. Algumas de nós se enchem de uma coragem que não sabíamos que tínhamos, outras ficam fragilizadas e precisam de apoio para suportar o que vem pela frente.
A rotina de uma mãe de UTI é cruel, mas fazemos com tanto amor e dedicação que se torna natural. Desde o primeiro dia temos que fazer ordenha do leite. Máquinas nos ajudam a sugar o leite tão precioso que começa como um pouco de colostro grosso e amarelo e logo passa a ser branco e abundante. A ordenha ocorre de 3 em 3 horas. Não existe mais sábado, domingo, feriado… todo dia é dia de estar cedo no hospital e ficar o maior tempo possível com nosso bebê. Outras mamães de UTI tornam-se nossas melhores companheiras… uma dá suporte a outra, rimos e choramos juntas, comemoramos cada alta e sofremos cada perda…
Receber amigos e família na maternidade após o nascimento fica meio sem graça… ninguém pode ver o bebê. Ter alta e ir pra casa sem ele é muito triste… é vazio… é sem graça! Ir embora todo dia e deixar aquele ser indefeso no hospital é difícil, sempre queremos ficar mais uns minutinhos… Pegar seu filho pela primeira vez no colo, cheio de fios e por alguns minutos é ao mesmo tempo um momento emocionante e desesperador. Poder vê-lo ganhar gramas a cada dia é recompensador. Bom mesmo? Bom mesmo é o dia da alta!!!185- prematuridade
Estive na UTI Neo 2 vezes. A primeira vez com a Lari que ficou 24 dias e a segunda vez com os trigêmeos que ficaram 29 dias. Nada foi igual… com cada um tive momentos diferentes de angústia e alegria. Com a Lari o desespero da anemia que não passava. Com o Alexandre foi a sugada que não acontecia. Com o Lipe eram as apnéias… ele simplesmente parava de respirar. Com a Anna foi tranquilo, eu só torcia pra que ela não tivesse alta antes dos meninos!
Vivi experiências que me marcaram. Acompanhei histórias de mulheres guerreiras que enfrentaram muito mais dificuldades do que eu. Algumas de nós saíram vitoriosas, outras infelizmente, não. Trago no coração cada uma delas e seus bebês… algumas tenho nas redes sociais e acompanho trocando mensagens, curtidas e vendo como esses prematurinhos são fortes! Todas nós chegamos aos nossos limites e nos superamos… todas nós reagimos da mesma forma: “Como assim? Já vai nascer?!”

NÃO EXISTE FÓRMULA PRONTA

Hoje eu acordei pensando sobre minhas atitudes com meus filhos… os meninos que não desencantam esse desfralde, O Lelê que não mastiga, a Larissa que vive se rebelando e deu pra responder pra gente, o Lipe que morde e a Anna que provoca todo mundo e quando leva bronca se faz de vítima e chora até perder o ar. Tem dias que minha paciência está ilimitada e eu sento, abraço, converso. Tem dias que minha vontade é sair correndo e deixar todo mundo chorando. Já gritei, já coloquei de castigo, já tirei brinquedo, já conversei, já abracei, já fiz chantagem, já apelei aos céus.
Aí chegam os palpiteiros de plantão, psicólogos millenium, filósofos, sociólogos, monólogos, cheios de fórmulas e conceitos para educação dos filhos. É o seguinte: cada criança é uma criança, cada família é uma família, cada mãe é uma mãe e cada pai é um pai. Não existe fórmula pronta!! Não dá pra afirmar que se você der 3 pulinhos vai achar a solução…
É muito fácil escrever um texto lindo sobre educação de filhos ou sair floreando o discurso “sente e converse”. Ser mãe e ser pai é muito difícil. Ter um filho é uma responsabilidade grande, é um ser humano que estamos formando. Saber colocar limites, ensinar o certo e o errado, dar amor, carinho, educação, nutrir são tarefas que ocupam muito tempo pois envolvem observação, compreensão e principalmente dedicação.414-formulcerta
Deixar seu filho com uma babá, numa escola integral ou com um parente próximo, é uma escolha fácil para algumas mães, mas difícil para outras. Tem aquelas que precisam trabalhar fora e não podem passar mais tempo com seus filhos, tem as que não se importam mesmo e pagam para outros educarem. Tem pais que participam da criação e dão banho, trocam fraldas, fazem mamadeira, lavam uma louça, brincam comos filhos e tem outros que simplesmente escolhem não existir… Vamos ser sinceros, tem até quem tem filho para a sociedade ou por algum tipo de pressão, porque por eles mesmos, o melhor era não tê-los. E tem os filhos… crianças tranquilas, agitadas, obedientes, teimosas, únicas, com irmãos, choronas, que não dormem, e por aí vai!
Ultimamente não tenho conseguido aturar essas regras pré-formatadas. Tenho 4 filhos pequenos, 3 na mesma idade, mas todos diferentes. Trabalho dentro, mas faço trabalho pra fora. Não tenho empregada ou babá. Lavo roupa e louça que não são poucas, cozinho, arrumo a casa e tenho sempre a sensação de que acabei de fazer e que tá lá tudo de novo…
Queria sentar e brincar com meus filhos, poder rolar no chão, desenhar, dormir abraçadinhos, conversar. Queria me exercitar, colocar roupas bonitas, ter o cabelo alinhado e cor no rosto. Queria sentar com meu marido pra conversar, namorar, relaxar. Queria assitir um filme, tomar sol na piscina, passear no parque. Queria trabalhar em silêncio, me concentrar, render mais. Queria, mas nem sempre posso. Aí vem a culpa, um sentimento que explode aqui dentro e que abafo.
Abafo porque não tenho como mudar tudo isso, não tem uma fórmula que faça com que meus filhos levantem, sentem, comam, durmam e façam suas necessidades num tempo estipulado e de forma ordenada. A todo momento tem um gritando, chamando, chorando, fazendo birra, mijando, tossindo. É brinquedo espalhado, leite derramado, criança se batendo, cocô na cueca… e toda aquela cena linda da mamãe rolando no tapete felpudo com seu filho se desfaz como fumaça.
Chego a conclusão de que faço o meu possível. Infelizmente pode não ser o desejado pelos meus filhos, meu marido ou outras pessoas. Me informo, leio, converso, concordo, às vezes não concordo, adapto tudo à minha realidade… flexibilizo… crio alternativas. Às vezes dá certo, em outras não dá. A culpa não deixa de existir, mas fica lá adormecida num cantinho. Meu conselho para as mamães que podem se sentir assim é: faça o que seu coração mandar. Não existe fórmula pronta!

BYE BYE MAMADEIRA

Tirando a mamadeira dos trigêmeos.

Pois é… acredite quem quiser mas meus pequenos com 3 anos e meio ainda tomavam mamadeira pela manhã e a tarde. A Larissa deixou de tomar mamadeira antes dos 3 anos, mas com eles sendo em 3, confesso que a danada era bem prática pra mim. Mas chega uma hora que a gente tem que partir pra próxima, e no caso deles, o momento é “bye bye mamadeira”!
412_byemamadeiraHoje cedo os meninos acordaram como de costume pedindo a “dedeira”… dei dois copos de bico com leite. Nossa, revolta geral!!! Gritos, choro, desespero… o Lipe falava: “No quelo copo, quelo dedeira!” O Lelê gritava “Não, não, quelo na dedeira banca, não quelo azul”… foram uns 5 minutos de protestos até que o Lipe cedeu, pegou o copo e foi feliz tomar seu leite. Demos parabéns e elogiamos. O Lelê ficou olhando ainda chorando… sentou no sofá bravo e o papai foi com o copo até ele. Com cara de nojo deixou que o papai colocasse o copo na sua boca. Sentiu o leite e a fome falou mais alto… começou a tomar meio de contra gosto.
Eis que acorda a Anna… fiz o mesmo, só que ela já toma achocolatado… nossa, quando ela viu o copo começou a gritar e chorar também…só que com ela é mais fácil negociar… expliquei que já era uma mocinha como a Lari e que não precisava mais de mamadeira. Deixei ela escolher onde tomar e optou pelo copo da Frozen com canudo.
Agora a tarde como de costume todo mundo foi pro cineminha na minha cama e levei os copos de leite… a Anna aceitou de primeira e o Lipe reclamou mas quando viu a Anna tomando pegou o dele, tomou e repetiu… o Lelê pra variar deu show, mas eu não amoleci e uns minutinhos de insistência resultaram em dois copos de leite pro peito!!
Cada dia será mais fácil e logo nem lembrarão da mamadeira. Com a Anna era o último grande desafio. Com os meninos ainda tenho dois: tirar a fralda noturna e tirar a chupeta pra dormir. Uma coisa por vez, com calma e persistência!!